Nulidade
Anularam-me.
Colocaram-me à esquerda, como um zero.
Uma presença assinalada. De caco.
Tal a apatia que se estala por dentro.
Anularam-me.
Colocaram-me ao frio, sem vestes.
Uma criatura assassinada. Morta.
Dedos que apontam como punhais.
Nulo. Percorro mãos.
O refúgio pantanoso da escuridão recebe-me, em pranto.
O mar. Nulo na sua revolta.
E o crepúsculo em pausa para que me reveja.
Só o vislumbre é de jade,
Nem o canto perdura para lá do muro.
A alma revolve-se, em tormento…
Eu e somente eu, entregue ao pudor,
Madrugada de nulidade.
O crepúsculo permanece pausado.
Para que me revele. E só então se anula. Na tangente horizonte.
Anseio a noite. Com ela a madrugada. A nulidade de mim em mim,
De nós em nós, deles em nós, deles em mim…
Como se a terra fosse um mar imenso. E água me afogasse.
Colocaram-me à esquerda.
A direita é para o filho.
É aqui que me anulo. Na sombra dele. Na pausa do silêncio.
Percorro mãos e aponto punhais.
Com a bênção da madrugada.
Sou nulidade. Na revelação da espera.
10.03.06
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
On my way down
Hemorragia
Sou o rio de sangue que te banha as margens virgens,
Aquele líquido de cor forte que se atenua com o tempo.
Um arco-íris de olhos perfaz um arco labial,
Sobre um tal rio celular cuja biologia oculta mistério.
A queda de água, o sangue que jorra audácia,
Uma matriz de lodo que prende os sedimentos de uma vida.
Sou o rio de sangue, cujo caudal celular oculta augúrio,
Diz-se nas margens que os seus afluentes são as veias e as artérias
Daqueles cujos corações se esgotaram por tanto bater,
Um batimento sem eco, sem resposta do outro lado do vidro baço
Que os enevoa na solidão… sou o rio de sangue que te acompanha
Numa marcha sem nexo, sem brado, sem música de fundo.
O banho madrugador, uma enchente de corpo e horror,
O momento em que paro a corrente, para que te diluas no sangue
E me concedas a graça de te envolver, de te animar no mais pequeno poro de vida.
Sou o rio de sangue que se desfez numa recordação póstuma
Como a força que me impele a escrever. Uma escrita de sangue seco,
Numa crosta de papel ressequido que arde sem compaixão.
Sou o rio de sangue que te banha as margens virgens,
Onde as flores morrem com o veneno que te vou devolvendo.
08.02.06
Sou o rio de sangue que te banha as margens virgens,
Aquele líquido de cor forte que se atenua com o tempo.
Um arco-íris de olhos perfaz um arco labial,
Sobre um tal rio celular cuja biologia oculta mistério.
A queda de água, o sangue que jorra audácia,
Uma matriz de lodo que prende os sedimentos de uma vida.
Sou o rio de sangue, cujo caudal celular oculta augúrio,
Diz-se nas margens que os seus afluentes são as veias e as artérias
Daqueles cujos corações se esgotaram por tanto bater,
Um batimento sem eco, sem resposta do outro lado do vidro baço
Que os enevoa na solidão… sou o rio de sangue que te acompanha
Numa marcha sem nexo, sem brado, sem música de fundo.
O banho madrugador, uma enchente de corpo e horror,
O momento em que paro a corrente, para que te diluas no sangue
E me concedas a graça de te envolver, de te animar no mais pequeno poro de vida.
Sou o rio de sangue que se desfez numa recordação póstuma
Como a força que me impele a escrever. Uma escrita de sangue seco,
Numa crosta de papel ressequido que arde sem compaixão.
Sou o rio de sangue que te banha as margens virgens,
Onde as flores morrem com o veneno que te vou devolvendo.
08.02.06
terça-feira, fevereiro 13, 2007
Happy Fucking Valentine's
Dim
Dew drops dawn inside my heart, when soulmates swear they’ll never be apart, perfectly protected under the moonlight, of my lonesome night, and bruised with stars and nightmare scars, of an ancient time, when angles came to earth to bless every kind of peaceful touch… and we didn’t feel it… we were too young to believe that love would be written in our destiny… Raindrops fill my empty heart, when soulmates challenge the dark, protected by the angels that took you up to the sky, where you’re the star that lights the scar of an unforgiving love… we were so old to make it true… and I was so hollow to trust in you… But the end is too far from our shelter, stormy nights won’t leave us fright, we’ll reach the sky to steal the heavenly light that will lead us though the night, and when the sun rises I’ll kiss you, and when the sun sets I’ll kill you, and you’ll feel the presence of her halo upon us… the blessed queen of an ancient time, when I was the murder and she was my perfect crime… my perfect crime… my perfect crime…
23.07.04
Dew drops dawn inside my heart, when soulmates swear they’ll never be apart, perfectly protected under the moonlight, of my lonesome night, and bruised with stars and nightmare scars, of an ancient time, when angles came to earth to bless every kind of peaceful touch… and we didn’t feel it… we were too young to believe that love would be written in our destiny… Raindrops fill my empty heart, when soulmates challenge the dark, protected by the angels that took you up to the sky, where you’re the star that lights the scar of an unforgiving love… we were so old to make it true… and I was so hollow to trust in you… But the end is too far from our shelter, stormy nights won’t leave us fright, we’ll reach the sky to steal the heavenly light that will lead us though the night, and when the sun rises I’ll kiss you, and when the sun sets I’ll kill you, and you’ll feel the presence of her halo upon us… the blessed queen of an ancient time, when I was the murder and she was my perfect crime… my perfect crime… my perfect crime…
23.07.04
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Crawling into the void
To Die of Grief
I stare at night, I meet you there
I need your love but it’s unfair.
I am so worthless, I lost my pride
In this sea with thoughts of suicide...
Your tears are bright like the stars
All my fears are dark as my scars
So get close to me, to feel it...
Vinegar drops on my wounds.
And it hurts, oh so much pain
I scream but it’s all in vain
This despair, all this cry
This torture and the wish to die
Tonight, when you’re so bright
Holding the stars and all the light.
I am on the other side, I have no choice
But I still hear the echo of your voice
Drop by drop I lose my blood...
This frail creature can’t deny
That without you I prefer to die.
I stare at night, I meet you there
I need your love but it’s unfair.
I am so worthless, I lost my pride
In this sea with thoughts of suicide...
Your tears are bright like the stars
All my fears are dark as my scars
So get close to me, to feel it...
Vinegar drops on my wounds.
And it hurts, oh so much pain
I scream but it’s all in vain
This despair, all this cry
This torture and the wish to die
Tonight, when you’re so bright
Holding the stars and all the light.
I am on the other side, I have no choice
But I still hear the echo of your voice
Drop by drop I lose my blood...
This frail creature can’t deny
That without you I prefer to die.
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Profano
Revelação em tom grave
Tenho tanto para te contar que não caberia neste instante,
Nesta pausa fotográfica de tempo efémero,
Neste crepitar de alma consumida pelas chagas,
Neste augúrio de um futuro desnivelado.
Tenho tanto para te revelar que não caberia nesta convulsão,
Nesta massa de ar inflamado que nos congela,
Nesta mania de espaçar o que deverá permanecer junto,
Nesta assunção que mais não é do que o aterro.
Tenho tanto para te confessar que não caberia neste lacrimejar,
Neste solfejo interdito a pobres de visão,
Neste templo arruinado pelas guerras corruptas,
Neste mural prolongado pela morte.
Tenho tanto para te olvidar que não caberia nesta fase,
Nesta escultura esquelética de premonições,
Nesta tempestade de medos e ressurreições,
Nesta água que me inunda o mais recôndito de mim.
Tenho tanto para te contar, o tempo da morte,
Aquele encandeamento como a luz do farol,
Aquele pouso terminal, o porto seguro da revelação.
Tenho tanto para te contar que a morte me concede um pouco mais…
04.02.06
Tenho tanto para te contar que não caberia neste instante,
Nesta pausa fotográfica de tempo efémero,
Neste crepitar de alma consumida pelas chagas,
Neste augúrio de um futuro desnivelado.
Tenho tanto para te revelar que não caberia nesta convulsão,
Nesta massa de ar inflamado que nos congela,
Nesta mania de espaçar o que deverá permanecer junto,
Nesta assunção que mais não é do que o aterro.
Tenho tanto para te confessar que não caberia neste lacrimejar,
Neste solfejo interdito a pobres de visão,
Neste templo arruinado pelas guerras corruptas,
Neste mural prolongado pela morte.
Tenho tanto para te olvidar que não caberia nesta fase,
Nesta escultura esquelética de premonições,
Nesta tempestade de medos e ressurreições,
Nesta água que me inunda o mais recôndito de mim.
Tenho tanto para te contar, o tempo da morte,
Aquele encandeamento como a luz do farol,
Aquele pouso terminal, o porto seguro da revelação.
Tenho tanto para te contar que a morte me concede um pouco mais…
04.02.06
Simbiose
Inspiração
Porque me desencontrei neste corredor
Ínfimo em desgraça, não tenho para onde ir,
Resta-me a ilusão do fim, de um qualquer cenário
Antecipado em que o ser se desintegra.
Porque quis ir além do que deduzi ser
O que de facto não sou, na miragem do devir,
Sufoquei com a revelação da subtileza
Neste prelúdio de dor que me desintegra.
Bafejado pela obscenidade de desejar o mal,
O que sempre me iludiu na caminhada fatal…
Agora ouço os anjos, sinto a candura do seu sopro,
Agora que te amo, é agora que morro.
30.09.04
Porque me desencontrei neste corredor
Ínfimo em desgraça, não tenho para onde ir,
Resta-me a ilusão do fim, de um qualquer cenário
Antecipado em que o ser se desintegra.
Porque quis ir além do que deduzi ser
O que de facto não sou, na miragem do devir,
Sufoquei com a revelação da subtileza
Neste prelúdio de dor que me desintegra.
Bafejado pela obscenidade de desejar o mal,
O que sempre me iludiu na caminhada fatal…
Agora ouço os anjos, sinto a candura do seu sopro,
Agora que te amo, é agora que morro.
30.09.04
sábado, janeiro 20, 2007
Céu de Inverno
Luar numa noite de céu encoberto
Sabes, apetece-me chorar, mas um choro espiritual
Para que só nós o percebamos…
Apetece-me deixar-me sufocar pelas mágoas
Que há muito reprimo em masmorras de lama…
Apetece-me chorar, choro subliminal,
Versos de Apolo em harpas rendidas ao infortúnio…
Há muitas formas de se perder a inocência
Se a vires diz-lhe para voltar… quero adormecer na ingenuidade
De que amanhã estarei a brincar e a construir castelos de lama
E que o príncipe derrotará o dragão e salvará a sua dama…
Apetece-me chorar, devaneio lacrimal, e só tu e eu…
Só tu e eu o percebemos, no Éden do nosso amor.
04.09.04
Sabes, apetece-me chorar, mas um choro espiritual
Para que só nós o percebamos…
Apetece-me deixar-me sufocar pelas mágoas
Que há muito reprimo em masmorras de lama…
Apetece-me chorar, choro subliminal,
Versos de Apolo em harpas rendidas ao infortúnio…
Há muitas formas de se perder a inocência
Se a vires diz-lhe para voltar… quero adormecer na ingenuidade
De que amanhã estarei a brincar e a construir castelos de lama
E que o príncipe derrotará o dragão e salvará a sua dama…
Apetece-me chorar, devaneio lacrimal, e só tu e eu…
Só tu e eu o percebemos, no Éden do nosso amor.
04.09.04
Monólogo a Dois
Os meus restos descansam no frio da pedra,
Se ao menos eu os reconhecesse como meus
Mas fico na dúvida, nunca me vi tal como fui,
Nem mesmo como sou, como irei ser…
Nasci na dúvida, na dúvida cresci e na dúvida…
Livro-me dos conceitos que teimam em descrever-me
Redutores malignos impregnados cicatrizados
Ventos de temporal casas descobertas redomas partidas,
Guardo-me no oculto, no ocaso da revelação,
Não morro no céu, morro na terra, na terra que apetece.
Liberto-me da noite porque a noite… a noite é vadia,
Diverte-se com a cegueira dos outros, com as quedas
Desamparadas no fosso dos seus infortúnios,
Esbracejam para não se afogarem na sua própria sujidade,
Submersão no fundo de si, encontro consigo, monólogo a dois…
02.09.04
quarta-feira, janeiro 17, 2007
Let the words flow through your veins... the music through your mind...
Once Upon A Time
mother i'm tired
come surrender my son
time has ravaged on my soul
no plans to leave but still i go
fallin' with the leaves
fallin' out of sleep
to the last goodbyes
who cares why?
mother i've tried
wasting my life
i haven't given up,
i lie
to make you so proud in my eyes
fallin' out of sleep
crawlin' over me
to the last goodbyes
who cares why?
tuesdays come and gone
restless still i drive
try to leave it all behind
fallin', fallin' out of sleep
fallin', fallin' with the leaves
i got crawlin', crawlin' over me
once upon a time in my life...i went falling
mother i hope you know
that i miss you so
time has ravaged on my soul
to wipe a mother's tears grown cold.
The Smashing Pumpkins - Adore
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Lágrimas de enxofre
Lacrimal
Fosse eu a partícula que se esvai num tempo sem espaço
E que se esfuma num respirar breve em melodia.
Algo semelhante a uma ave que cai, morta em silêncio, despida de estendais.
Quando acordo do sono preso nas amarras do destino,
O sol vai alto, tão alto, bem perto do céu.
O queimado da pele ácida que me cobre, que me corrói bem dentro.
Vísceras amontoadas em corpos desnudos e putrefactos.
Inspiro.
Inspiro sublimemente.
Inspiro sublimemente a tua mão, a tua face, os teus olhos, tudo teu.
E quando mastigo sou homem, julgava ser ou não ser ou ser só por ser
Porque ser só por ser não é ser é apenas fingir que se é.
Tal como fui ou sou ou serei ou pretendi ser
Só para que me fosses o que sempre te quis ser.
Como sempre, talvez.
Ou apenas a leve agitação interior de podre e amargo.
O pêssego que amadurece e apodrece antes que o saboreie.
Desejo-te na névoa, no sonho, na melodia que entra pelos ouvidos e me invade...
Não te sei explicar, nem sei quem és, nem do que gostas de ouvir.
Lá fora jaz a noite. O meu manto de noites eternas.
O meu regaço de consolo e sonho. De solidão.
Eu sou a solidão. Eu. Sim eu, porque tu. De ti nada sei.
Nada soube. Opaco muro que me enclausura
Numa escravatura sufocante do tempo que rareia.
E respiro.
Respiro?
Acho que sim.
Sinto o corpo a elevar-se.
A sede.
A fome.
A carne.
A água.
A chuva e a lama.
O corpo e a alma.
A morte e a morte.
De mãos caídas caminho no plano oblíquo do que julgo ser.
Caio em tentações supérfluas.
Que já ninguém guarda.
Que já ninguém persegue.
Soubesse eu chamar-te, olvidar-te, sossegar-te, repousar-te...
Soubesse eu em delírio fugaz escapar às amarras do infortúnio de ser.
O sangue coalha no canto dos pássaros, alvorada manchada.
E o azul mistura-se na minha voz, no meu grito, no meu caminhar.
Sou eu quem te persegue e se senta na tua sombra para não me queimar do sol.
Dá-me a mão.
Levanta-me.
Faz-me rir.
Deixa-me chorar.
Ama-me.
Não percebo.
Não sei.
Raios!
Manto breve de inquietação, em vírgulas e acentos mal colocados.
Que palavras mal escolhidas, que voz ridícula.
Ainda bem que não falas.
Suspiras. Suspiro por ti. Não sentes.
Só em música te elevas e te desprendes da realidade,
Porque acreditas no poder das estrelas.
Também desejo.
Também desconheço o beijo.
Os espinhos cravados na fronte.
Da rosa.
Da rosa seca de sangue.
De sangue derramado sobre os passos soturnos da sombra que é minha.
Vem do fundo.
Em ecos que se perdem pelos vales da solidão.
Pelos espaços vítreos do meu.
Sim, do meu.
Não estranhes.
Porque não há norte.
Não há.
Não há, porque não há.
Não te devo resposta.
Porque não há.
Vácuo.
Fosse eu a partícula que se esvai num tempo sem espaço
E que se esfuma num respirar breve em melodia.
Algo semelhante a uma ave que cai, morta em silêncio, despida de estendais.
Quando acordo do sono preso nas amarras do destino,
O sol vai alto, tão alto, bem perto do céu.
O queimado da pele ácida que me cobre, que me corrói bem dentro.
Vísceras amontoadas em corpos desnudos e putrefactos.
Inspiro.
Inspiro sublimemente.
Inspiro sublimemente a tua mão, a tua face, os teus olhos, tudo teu.
E quando mastigo sou homem, julgava ser ou não ser ou ser só por ser
Porque ser só por ser não é ser é apenas fingir que se é.
Tal como fui ou sou ou serei ou pretendi ser
Só para que me fosses o que sempre te quis ser.
Como sempre, talvez.
Ou apenas a leve agitação interior de podre e amargo.
O pêssego que amadurece e apodrece antes que o saboreie.
Desejo-te na névoa, no sonho, na melodia que entra pelos ouvidos e me invade...
Não te sei explicar, nem sei quem és, nem do que gostas de ouvir.
Lá fora jaz a noite. O meu manto de noites eternas.
O meu regaço de consolo e sonho. De solidão.
Eu sou a solidão. Eu. Sim eu, porque tu. De ti nada sei.
Nada soube. Opaco muro que me enclausura
Numa escravatura sufocante do tempo que rareia.
E respiro.
Respiro?
Acho que sim.
Sinto o corpo a elevar-se.
A sede.
A fome.
A carne.
A água.
A chuva e a lama.
O corpo e a alma.
A morte e a morte.
De mãos caídas caminho no plano oblíquo do que julgo ser.
Caio em tentações supérfluas.
Que já ninguém guarda.
Que já ninguém persegue.
Soubesse eu chamar-te, olvidar-te, sossegar-te, repousar-te...
Soubesse eu em delírio fugaz escapar às amarras do infortúnio de ser.
O sangue coalha no canto dos pássaros, alvorada manchada.
E o azul mistura-se na minha voz, no meu grito, no meu caminhar.
Sou eu quem te persegue e se senta na tua sombra para não me queimar do sol.
Dá-me a mão.
Levanta-me.
Faz-me rir.
Deixa-me chorar.
Ama-me.
Não percebo.
Não sei.
Raios!
Manto breve de inquietação, em vírgulas e acentos mal colocados.
Que palavras mal escolhidas, que voz ridícula.
Ainda bem que não falas.
Suspiras. Suspiro por ti. Não sentes.
Só em música te elevas e te desprendes da realidade,
Porque acreditas no poder das estrelas.
Também desejo.
Também desconheço o beijo.
Os espinhos cravados na fronte.
Da rosa.
Da rosa seca de sangue.
De sangue derramado sobre os passos soturnos da sombra que é minha.
Vem do fundo.
Em ecos que se perdem pelos vales da solidão.
Pelos espaços vítreos do meu.
Sim, do meu.
Não estranhes.
Porque não há norte.
Não há.
Não há, porque não há.
Não te devo resposta.
Porque não há.
Vácuo.
segunda-feira, janeiro 01, 2007
domingo, dezembro 31, 2006
Continuo à espera...
Oblíquo
Enquanto o cântico se estender
Pelo infinito bordado no horizonte
Estenderei as mãos para segurar os anjos que desfalecem
Por se terem apagado as suas auréolas descrentes,
A crença roubada ao criador das harpas.
Os que pedem a rendição, o último aceno,
Ficam presos nas pautas, pelas asas,
São as vozes que se ouvem nos crepúsculos de sangue,
Cânticos etéreos de súplica e de salvação.
As minhas mãos estendem-se para segurar os anjos que esmorecem
Por se terem livrado do branco e abraçado o negro da noite,
Em cada asa a chaga da verdade, da ocultação da carne.
As putas aos tombos numa dança frenética,
Na palma da mão do criador das harpas.
A madrugada recolhe-se e o dia nasce rosado de vergonha,
É que as putas esqueceram-se das asas
E a mão permanece estendida á espera que a fechem.
22.01.06
Enquanto o cântico se estender
Pelo infinito bordado no horizonte
Estenderei as mãos para segurar os anjos que desfalecem
Por se terem apagado as suas auréolas descrentes,
A crença roubada ao criador das harpas.
Os que pedem a rendição, o último aceno,
Ficam presos nas pautas, pelas asas,
São as vozes que se ouvem nos crepúsculos de sangue,
Cânticos etéreos de súplica e de salvação.
As minhas mãos estendem-se para segurar os anjos que esmorecem
Por se terem livrado do branco e abraçado o negro da noite,
Em cada asa a chaga da verdade, da ocultação da carne.
As putas aos tombos numa dança frenética,
Na palma da mão do criador das harpas.
A madrugada recolhe-se e o dia nasce rosado de vergonha,
É que as putas esqueceram-se das asas
E a mão permanece estendida á espera que a fechem.
22.01.06
sábado, dezembro 30, 2006
Ficaste, nesse mesmo instante... para sempre em recordação!
Fotografia
No sobressalto do anoitecer aconcheguei-me,
Silenciosamente, no regaço da melancolia
E aí fiquei, até o sol nascer, até o brilho me encandear.
A página está em branco. O medo sorri-me. Caem as últimas gotas
Do nevoeiro que, timidamente, se dissipa nesta manhã fugidia.
Ao mesmo tempo que olho para ti, naquele instante espontâneo
Que guardou para sempre o olhar vítreo que me sondava. A tua
Beleza em figura, as águas que te banham o rosto, cicatrizes
Soltas na leve agitação das algas… o sossego do silêncio
E a fantasia da recordação que se inscreve nos traços das tuas mãos,
As mesmas que decalcam os céus, as mesmas que seguram os anjos
Que se desprendem do Além. Também as harpas tocam para ti,
Também a lua te saúda. Lanço-te ao infinito…para sempre dama.
O suspiro crepuscular que se desprende da minha alma, enevoado
De incertezas, encontra-se contigo na ânsia última de viver,
No desespero medroso da poça de sangue onde mergulho os olhos.
Lacrimejar cristalino, na memória do que foi. Para lá do momento,
A esperança do retorno e a beleza da utopia.
09.10.04
No sobressalto do anoitecer aconcheguei-me,
Silenciosamente, no regaço da melancolia
E aí fiquei, até o sol nascer, até o brilho me encandear.
A página está em branco. O medo sorri-me. Caem as últimas gotas
Do nevoeiro que, timidamente, se dissipa nesta manhã fugidia.
Ao mesmo tempo que olho para ti, naquele instante espontâneo
Que guardou para sempre o olhar vítreo que me sondava. A tua
Beleza em figura, as águas que te banham o rosto, cicatrizes
Soltas na leve agitação das algas… o sossego do silêncio
E a fantasia da recordação que se inscreve nos traços das tuas mãos,
As mesmas que decalcam os céus, as mesmas que seguram os anjos
Que se desprendem do Além. Também as harpas tocam para ti,
Também a lua te saúda. Lanço-te ao infinito…para sempre dama.
O suspiro crepuscular que se desprende da minha alma, enevoado
De incertezas, encontra-se contigo na ânsia última de viver,
No desespero medroso da poça de sangue onde mergulho os olhos.
Lacrimejar cristalino, na memória do que foi. Para lá do momento,
A esperança do retorno e a beleza da utopia.
09.10.04
Acordei com a vontade insistente de me envenar com o meu próprio sangue
O sabor a sangue
A manhã estava salpicada pelo negrume dos teus cabelos,
Uma pele orvalhar que se estendia sob os meus passos.
Ao de leve, a brisa dava-me as boas vindas, num afago
E ao longe o horizonte permanecia imóvel a cada momento meu.
Seria um augúrio de morte, ou apenas de saudade,
Um sismo em pausa ou apenas um retrato etéreo esquecido no cimo do monte…
A tarde adiava livrar-se desse negrume capilar,
Mas num súbito tremor, o sangue jorrou da fenda da tua face,
Num segundo que permanecia não findar, tu a esvaíres-te,
Eu num desmaio retardado pela súplica de ajuda. Estendo a mão,
Flácida no degelo da manhã que se dissipa do retrato que parecia inalterável.
Do horizonte chegam uivos, trazidos pela brisa que não acalma,
Uma bofetada, uma fenda corrompida pela saudade.
E a noite que se aproxima, a mancha de sangue que aumenta a cada suspiro,
A agonia de escutar, longe deste tempo que me aprisionou. Cada lacrimejar.
Cada soluçar. Cada pulsação a cada verso de sangue. E é a noite que o traz.
Aquele cheiro a morte, disfarçado pelo odor a rosas murchas, a saudade dos que ficam,
Um caminho traçado para que não se percam na caminhada para a paz.
Um cheiro fétido a saudade. Um remoer de vozes encarquilhadas pelo tempo.
Sou figura de terra, broto do chão que me há-de acolher. Rebolo no sangue,
Deixo-me envolver no novelo negro dos teus cabelos. Outrora o horizonte,
Hoje o húmus e a vida que me consome. Sou dos anjos, do sopro e do murmúrio.
Amanhã exulto-me em cânticos, em delírios e em sonolência. Um beijo na face e o Sabor ao teu sangue guardado para sempre nas fendas dos meus lábios.
22.02.06
A manhã estava salpicada pelo negrume dos teus cabelos,
Uma pele orvalhar que se estendia sob os meus passos.
Ao de leve, a brisa dava-me as boas vindas, num afago
E ao longe o horizonte permanecia imóvel a cada momento meu.
Seria um augúrio de morte, ou apenas de saudade,
Um sismo em pausa ou apenas um retrato etéreo esquecido no cimo do monte…
A tarde adiava livrar-se desse negrume capilar,
Mas num súbito tremor, o sangue jorrou da fenda da tua face,
Num segundo que permanecia não findar, tu a esvaíres-te,
Eu num desmaio retardado pela súplica de ajuda. Estendo a mão,
Flácida no degelo da manhã que se dissipa do retrato que parecia inalterável.
Do horizonte chegam uivos, trazidos pela brisa que não acalma,
Uma bofetada, uma fenda corrompida pela saudade.
E a noite que se aproxima, a mancha de sangue que aumenta a cada suspiro,
A agonia de escutar, longe deste tempo que me aprisionou. Cada lacrimejar.
Cada soluçar. Cada pulsação a cada verso de sangue. E é a noite que o traz.
Aquele cheiro a morte, disfarçado pelo odor a rosas murchas, a saudade dos que ficam,
Um caminho traçado para que não se percam na caminhada para a paz.
Um cheiro fétido a saudade. Um remoer de vozes encarquilhadas pelo tempo.
Sou figura de terra, broto do chão que me há-de acolher. Rebolo no sangue,
Deixo-me envolver no novelo negro dos teus cabelos. Outrora o horizonte,
Hoje o húmus e a vida que me consome. Sou dos anjos, do sopro e do murmúrio.
Amanhã exulto-me em cânticos, em delírios e em sonolência. Um beijo na face e o Sabor ao teu sangue guardado para sempre nas fendas dos meus lábios.
22.02.06
O 1º suspiro
Origem
O odor a terra,
O leve céu que se aprisiona na bruma,
Na imperfeição do princípio adulterado.
Fosse eu origem de ti.
O branco translúcido
Das palavras que te endereço
São o rosto invisível do amor que nos une.
Fora da metafísica do óbvio,
Escondido da ilusão outonal
Que precede a invernia da perda.
Fosse eu origem de ti.
Fosse eu origem de tudo o que te surpreende.
Fosse eu a sombra que te contorna.
Fosse eu o destino que te prende.
E talvez assim, o longo caminho ladeado por cedros secos,
Cedros ásperos e cinzentos, ganhasse a vida de outrora,
A mesma vida que se alimentava da vida do teu mar.
Fosse eu origem desse tumulto,
Desse mar enraivecido que engole montes e vales sem igual.
Fosse eu origem das chamas
Que te devoram sem piedade, musa de etérea idade.
Fosse eu o céu que te acolhe,
Com canções de embalar, suspiradas a cada murmúrio teu.
Fosse eu a origem de ti.
Descrita neste branco translúcido,
Por palavras que te endereço, nesta noite fria e outonal.
Fosse eu a origem.
De ti, madrugada original.
29.11.05
O odor a terra,
O leve céu que se aprisiona na bruma,
Na imperfeição do princípio adulterado.
Fosse eu origem de ti.
O branco translúcido
Das palavras que te endereço
São o rosto invisível do amor que nos une.
Fora da metafísica do óbvio,
Escondido da ilusão outonal
Que precede a invernia da perda.
Fosse eu origem de ti.
Fosse eu origem de tudo o que te surpreende.
Fosse eu a sombra que te contorna.
Fosse eu o destino que te prende.
E talvez assim, o longo caminho ladeado por cedros secos,
Cedros ásperos e cinzentos, ganhasse a vida de outrora,
A mesma vida que se alimentava da vida do teu mar.
Fosse eu origem desse tumulto,
Desse mar enraivecido que engole montes e vales sem igual.
Fosse eu origem das chamas
Que te devoram sem piedade, musa de etérea idade.
Fosse eu o céu que te acolhe,
Com canções de embalar, suspiradas a cada murmúrio teu.
Fosse eu a origem de ti.
Descrita neste branco translúcido,
Por palavras que te endereço, nesta noite fria e outonal.
Fosse eu a origem.
De ti, madrugada original.
29.11.05
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