Já te viste ao espelho hoje?
Reconheceste-te no vértice de um qualquer ângulo agudo,
As expressões de quem range os dentes por agonias avulsas
E o êxtase impróprio por ironias derramadas em soluços?
Já te insultaste ao espelho hoje?
Ou aguardas que te esbarrem contra o vértice que te aponta,
O relicário de cinzas com que te maquilhas
Só porque lá fora te aguarda o abismo de não ter?
Já te prostituíste por actos e omissões?
Num tempo contado por um cigarro que se esvái
E que tenta afundar-te em memórias de areia
Ferem-te os lábios que não sabem que verbo conjugar?
Já foste miragem ou inquietação?
Um compasso de espera ou uma pauta desordenada?
Um traço na pele ou uma escama em decomposição?
Ou o reflexo do pensado num vidro partido?
Já te viste ao espelho hoje?
Ou um acto de auto flagelação em êxtase corporal?
Actos e omissões por minha culpa masturbação,
O relicário de cinzas e os lábios cerrados,
Enquanto me conjugo em soluços e espamos
Na brevidade de te prostituir enquanto forma de areia.
quinta-feira, maio 05, 2011
segunda-feira, abril 25, 2011
Transfusões
A luz apaga-se e eu não encontro o meu caminho
Que me tire desta clausura, deste labirinto
O chão é aspero neste estio infernal
O preço do desprezo e do pecado original.
Bebe, do meu sangue frio
Come, do meu corpo vazio
És sangue, do meu sangue frio
És carne, do meu corpo vazio.
Neste carrossel de tortura musical
Nauseas de aborto num jogo virtual
Pesadelos de água benta de sopro tumular
Aves de rapina numa dança circular.
Bebe, do meu sangue frio
Come, do meu corpo vazio
És sangue, do meu sangue frio
És carne, do meu corpo vazio.
Que me tire desta clausura, deste labirinto
O chão é aspero neste estio infernal
O preço do desprezo e do pecado original.
Bebe, do meu sangue frio
Come, do meu corpo vazio
És sangue, do meu sangue frio
És carne, do meu corpo vazio.
Neste carrossel de tortura musical
Nauseas de aborto num jogo virtual
Pesadelos de água benta de sopro tumular
Aves de rapina numa dança circular.
Bebe, do meu sangue frio
Come, do meu corpo vazio
És sangue, do meu sangue frio
És carne, do meu corpo vazio.
segunda-feira, abril 11, 2011
Escrevo-te para evitar pensar-te.
Tão somente dizer-te em prolongamentos de braços que não metamorfoses e barcos à deriva.
Pálpebras cerradas pelo orvalho e os dedos em rotação.
Faltam-me sílabas para te compôr. Palavras que se insunuam mas que em ti não cabem.
Sem o saber sou eu e as sombras, o nada que ocupo e o tempo que não recua.
Em prolongamentos de línguas que não se tocam. Um ar gélido de madrugada...
Se me lesses nas entrelinhas e pedaços de cal que se soltam...
Jaz em ti um piano antigo. Em mim filamentos de uma qualquer substância.
Por momentos, um caos poético. Em câmara lenta, no abismo de nós.
terça-feira, março 08, 2011
Um Porto Antigo
Se me cobrires de terra que seja da extensão do vale que te preenche
Que em cada declive pontes e caminhos de ferro
Portos cobertos de musgo de tão antigos e barcos á deriva
Pescadores de nostalgia, amor em estado líquido.
Se me cobrires de água que seja da profundidade da barragem que te encerra
Que em cada afluente santuários sem chama
Paisagens de natureza morta em carne viva
E um percurso de espanto, a poesia dos sábios.
Se me cobrires de palavras que sejam inocentes como as gentes que me falam
Cobertas de musgo de tão antigas e chaminés de fumo
Arcaica forma de assinalar presença e encontrar aconchego
Mesmo que a fonte seque com o estio dos desventurados.
Que em cada declive pontes e caminhos de ferro
Portos cobertos de musgo de tão antigos e barcos á deriva
Pescadores de nostalgia, amor em estado líquido.
Se me cobrires de água que seja da profundidade da barragem que te encerra
Que em cada afluente santuários sem chama
Paisagens de natureza morta em carne viva
E um percurso de espanto, a poesia dos sábios.
Se me cobrires de palavras que sejam inocentes como as gentes que me falam
Cobertas de musgo de tão antigas e chaminés de fumo
Arcaica forma de assinalar presença e encontrar aconchego
Mesmo que a fonte seque com o estio dos desventurados.
quarta-feira, fevereiro 23, 2011
(Há rios que não desaguam no mar...)

(Há rios que não desaguam no mar...)
Num gesto cirúrgico o corte da parte inerte, ligeiramente do teu lado esquerdo.
Naquele lugar flores de arame.
(Há rios que não desaguam no mar...)
Não só ampulhetas, mas agulhas e fios de nylon.
Não peças que te cresçam asas.
(Há rios que não desaguam no mar...)
Húmus, não amores plagiados e relógios de corda.
Nesse lugar cisnes negros embalsamados.
(Há rios que não desaguam no mar...)
Não esperes que te cresçam asas,
Mas dedos de arame e unhas roídas.
(Há rios que não desaguam no mar...)
São espaços que não se preenchem,
Mas cantos de cisnes negros quando degolados.
(Há rios que não desaguam no mar...)
No espaço que nos separa, apenas
Vestígios da noite de ontem.
(photo by Ira: http://saturnineindetails.blogspot.com/)
terça-feira, fevereiro 22, 2011
Monólogo e um chá para dois
Tu que não és tu mas que insistes em aparecer.
Tu que não és tu que me devolves em versos de saliva.
Tu que não és tu que me metamorfoseias em formas animais.
Tu que não és tu em corpo algum vísceras ou poros dilatados.
Tu que não és tu sem passo certo ao acaso e só porque apenas areia.
Tu que não és tu em línguas salgadas por rias cheias de olhos.
Tu que não és tu que ocupas os espaços com bailados disformes.
Tu que não és tu em copos de vinho partículas de vidro em lábios gretados.
Tu que não és tu que ousas hologramas de memórias a curto prazo.
Tu que não és tu mas que insistes em demorar.
Tu que não és tu que me moldas em lama.
Tu que não és tu que me sussuras nos tempos mortos.
Tu que não és tu não ousas sequer o nevoeiro do orvalho dos corpos.
Tu que não és tu apenas mimetismos de eu em centrifugação.
Tu que não és tu mas eu liberto de poros e vísceras pele em decomposição.
Tu que não és tu que me devolves em versos de saliva.
Tu que não és tu que me metamorfoseias em formas animais.
Tu que não és tu em corpo algum vísceras ou poros dilatados.
Tu que não és tu sem passo certo ao acaso e só porque apenas areia.
Tu que não és tu em línguas salgadas por rias cheias de olhos.
Tu que não és tu que ocupas os espaços com bailados disformes.
Tu que não és tu em copos de vinho partículas de vidro em lábios gretados.
Tu que não és tu que ousas hologramas de memórias a curto prazo.
Tu que não és tu mas que insistes em demorar.
Tu que não és tu que me moldas em lama.
Tu que não és tu que me sussuras nos tempos mortos.
Tu que não és tu não ousas sequer o nevoeiro do orvalho dos corpos.
Tu que não és tu apenas mimetismos de eu em centrifugação.
Tu que não és tu mas eu liberto de poros e vísceras pele em decomposição.
terça-feira, fevereiro 08, 2011
Solilóquio em câmara lenta
Se tivesse que descrever o percurso do rio que em mim desagua não me chegava o conjunto de afluentes que me inundam. Insistentemente me afundava na tentativa de suster a respiração que volta sem rumo certo. Tais remoínhos de água turva em capítulos que repetem escritos e fluidos poluídos. A libertação do recluso com pele ás riscas lâminas com ferrugem e vestígios de heresias que nem ouso dactilografar. Sem saber que aquilo que me descreve é uma sombria tentativa de aprisionamento numa qualquer sala de autópsias mentais do género dos filmes de terror. Se tivesse que expor por palavras o que me impele a sentir escorregava em cada acordo ortográfico na queda no rio que desagua num mar deserto e gélido sem qualquer horizonte em vista. A melodia das ondas disforme pelos sussurros do vento que se avizinha tumultuoso. Faz frio cá dentro neste momento em que as aves de rapina levantam voo e se escondem da luz. Soubesse eu descrever-me em simples apontamentos dos que evocam em páginas brancas e em cadernos de registo para que a memória não me atraiçoe e me faça crer que afinal tudo não passa de um qualquer conto assinado por um alguém que nem ouso conhecer.
segunda-feira, janeiro 31, 2011
marilyn manson - sweet dreams (live)
Cantigas de embalar, a sustentação do medo
E o nevoeiro envolto em bálsamos de inquietação...
Só porque lhe sobra tempo, que o ocupa em pesar
Por pensar que o tempo afugenta o medo
Repete insistentemente estas cantigas de embalar.
sábado, janeiro 29, 2011
De sons se preenche o vazio da noite
Compus a melodia durante a noite.
Tem acordes de pesadelo, ritmos de insónia e violinos desafinados.
Tem sons inaudíveis, perceptíveis só de olhos fechados.
Aguardo pela composição da letra, palavras que me chegam em turbilhão,
Tempestades aflitas de mãos dadas com horizontes distantes.
Perto de mais para ser crente, apenas hologramas que perseguem sombras.
Compus a melodia durante a noite.
Pianos de cinzas, violinos estridentes, em absolvição.
Actos de contricção plasmados em figuras de estilo,
Palavras sussuradas num confessionário privado, um sopro ao de leve na pálpebra que treme.
Aguardo pelas palavras que chegam em turbilhão, vozes estilhaçadas
Neste espaço vazio onde sou acorde sem pauta definida.
Tem acordes de pesadelo, ritmos de insónia e violinos desafinados.
Tem sons inaudíveis, perceptíveis só de olhos fechados.
Aguardo pela composição da letra, palavras que me chegam em turbilhão,
Tempestades aflitas de mãos dadas com horizontes distantes.
Perto de mais para ser crente, apenas hologramas que perseguem sombras.
Compus a melodia durante a noite.
Pianos de cinzas, violinos estridentes, em absolvição.
Actos de contricção plasmados em figuras de estilo,
Palavras sussuradas num confessionário privado, um sopro ao de leve na pálpebra que treme.
Aguardo pelas palavras que chegam em turbilhão, vozes estilhaçadas
Neste espaço vazio onde sou acorde sem pauta definida.
quinta-feira, janeiro 27, 2011
Não me surpreende que me fales da noite,
Nem que me tentes ensinar as constelações de cada céu.
Não me importo que reinventes a noite,
Nem que te enganes a contar os anéis de Saturno.
Não me dispenses o teu adormecer,
Nem o comprimido efervescente que se dissolve na tua pele.
Não me cruzes os braços,
Nem que o fio de arame e o corpo vertical...
Não me cubras com lâminas,
Nem com restos perfumados de línguas aveludadas.
Não me fales da noite,
Nem do tempo efervescente,
Não me fales de línguas
Ou de outros pedaços de corpo,
Não me fales de nada,
Apenas de ti.
segunda-feira, janeiro 24, 2011
Cloreto de (s)ódio
Fixo-me no reflexo. Anexo de hospital,
Perplexo sem anexo apenas um apêndice
De ligaduras estranhas, interligações de entranhas,
A garrafa de soro, a alma diluída,
O odor acre do dia, anestesia de mais um estado de ser.
Fixo-me no tecto. Branco sujo, roupagens de nojo,
Tão perto mas tão longe do ângulo recto
O grito obtuso AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH
Analgésicos de agulhas que me iludem
O ter que e não poder... a dor, a crepitação
Do corpo, morto, absorto, mole de espasmos...
Fixo-me no chão. A mão que caminha pelas nódoas
Vómitos de ânsias bolsam em segundos fractais,
Armários que ocultam cadáveres que... em câmara lenta se desfazem em sal...
Sangue arterial, pedaços de ventrículos,
Sangue venoso a alma diluída o soro em ebulição
Crepitação de roupagens de odor acre eu em ti aprisionado no armário...
Fixo-me na água. Do vazio embaciado sem voz
Sem palavras e metáforas, línguas e gargantas
Traqueostomias mal sucedidas e um jorro de nada que se liberta
Em uníssono da traqueia em fogo
Monstro que no mar de saliva se esconde e agora é soro
E alma diluída em escarros embaciados por restos de pouco ou nada e apenas quase...
Fixo-me na imperfeição. Do hoje e do que há-de vir.
O que foi é ventrículo despedaçado, é sangue venoso com falta de sal.
Perplexo sem anexo apenas um apêndice
De ligaduras estranhas, interligações de entranhas,
A garrafa de soro, a alma diluída,
O odor acre do dia, anestesia de mais um estado de ser.
Fixo-me no tecto. Branco sujo, roupagens de nojo,
Tão perto mas tão longe do ângulo recto
O grito obtuso AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH
Analgésicos de agulhas que me iludem
O ter que e não poder... a dor, a crepitação
Do corpo, morto, absorto, mole de espasmos...
Fixo-me no chão. A mão que caminha pelas nódoas
Vómitos de ânsias bolsam em segundos fractais,
Armários que ocultam cadáveres que... em câmara lenta se desfazem em sal...
Sangue arterial, pedaços de ventrículos,
Sangue venoso a alma diluída o soro em ebulição
Crepitação de roupagens de odor acre eu em ti aprisionado no armário...
Fixo-me na água. Do vazio embaciado sem voz
Sem palavras e metáforas, línguas e gargantas
Traqueostomias mal sucedidas e um jorro de nada que se liberta
Em uníssono da traqueia em fogo
Monstro que no mar de saliva se esconde e agora é soro
E alma diluída em escarros embaciados por restos de pouco ou nada e apenas quase...
Fixo-me na imperfeição. Do hoje e do que há-de vir.
O que foi é ventrículo despedaçado, é sangue venoso com falta de sal.
sábado, janeiro 22, 2011
Range os dentes como quem chama por si próprio,
Anula o espaço com o simples gesto de abraço,
Eleva as mãos e sustém as palavras antes do vómito,
Despede-te de si e só depois dos outros,
A breve inspiração começa a ferver no lobo frontal,
O fumo pelos olhos, o ritual e o toque gélido,
Ele e os seus espectros, a sua arte de mãos erguidas.
Criador de tempestades, máscara de relâmpagos,
A perfeita oração neste desfile de mortos vivos.
alma

Quero despir-me deste corpo que me aprisiona,
de tal forma colado ao espírito, sangra cada vez que exorcizo sentimentos em negação.
Fumo o último cigarro do dia, ao som de uma melodia narcótica,
cujo efeito pouco ao nada acrescenta ao momento. Fumo etéreo. Alma expurgada.
Negação em consumo lento.
Misto de inspiração e holocausto.
Cansaço mental, bocejo de tédio e medo do risco.
Não pretendia ser concreto, mas nada mais se liberta das masmorras do intelecto.
Infusão de água benta. Cânticos em enxurrada na distância de um grito em surdina.
Rendido ao solilóquio.
Fica-se a alma em levitação, em infusão, na confusão do líquido com a dissolução do sabor a monotonia. Melodia em repetição.
A preto e branco. Na revelação e na miragem.
A preto e branco. No labirinto da mente.
A preto e branco. Na leveza da reacção química.
A preto e branco. Antologia por escrever.
A preto e branco. Para que a nostalgia faça sentido.
Alma.
(photo by IRA : http://www.saturnineindetails.blogspot.com/)
O bailado dos que pouco ou nada esperam
A imensidão do traço que me contorna
Lascivo e inerte, sem consequência
Na ausência de perspectiva, de substância, de algo mais neutro que o ser-se e...
Deflagra a incerteza de devorar aquele ser
Sem saber que o tempo é cinza
E nela me fundo até aos ossos que me sutentam e...
A história repete-se em palavras inacabadas,
Em parágrafos diluídos por água turva,
Em sinais de pontuação ausentes, só o batimento cardíaco a marcar ritmo,
Inóspito como a melodia da noite que aconchega os intemporais
Vagabundos quais marionetas de cordas rasgadas,
Notas de piano em decadência e só eu e o cigarro
Que me consome no último suspiro da carne neutra em ser-se e não se ser,
Mimetismo corporal em combinações probabilísticas
O bailado dos transeuntes que apressados se atropelam.
Lamentos orvalhares, olhares desencontrados,
O crepitar do tempo em cinzas flutuantes em que me fundo,
Profundo parágrafo sem pontuação, palavras desalinhadas
E um fim em página branca, à espera que o plasma seja a pureza
Do ideal, sonho revelado através de uma qualquer peça
Em que os figurantes se dispersam, comungando da solidão da orquestra
Que cospe acordes de saliva envenenada.
http://jilltracy.bandcamp.com/track/under-the-fate-of-the-blue-moon
Lascivo e inerte, sem consequência
Na ausência de perspectiva, de substância, de algo mais neutro que o ser-se e...
Deflagra a incerteza de devorar aquele ser
Sem saber que o tempo é cinza
E nela me fundo até aos ossos que me sutentam e...
A história repete-se em palavras inacabadas,
Em parágrafos diluídos por água turva,
Em sinais de pontuação ausentes, só o batimento cardíaco a marcar ritmo,
Inóspito como a melodia da noite que aconchega os intemporais
Vagabundos quais marionetas de cordas rasgadas,
Notas de piano em decadência e só eu e o cigarro
Que me consome no último suspiro da carne neutra em ser-se e não se ser,
Mimetismo corporal em combinações probabilísticas
O bailado dos transeuntes que apressados se atropelam.
Lamentos orvalhares, olhares desencontrados,
O crepitar do tempo em cinzas flutuantes em que me fundo,
Profundo parágrafo sem pontuação, palavras desalinhadas
E um fim em página branca, à espera que o plasma seja a pureza
Do ideal, sonho revelado através de uma qualquer peça
Em que os figurantes se dispersam, comungando da solidão da orquestra
Que cospe acordes de saliva envenenada.
http://jilltracy.bandcamp.com/track/under-the-fate-of-the-blue-moon
sexta-feira, janeiro 21, 2011
segunda-feira, fevereiro 01, 2010
Como vem sendo hábito, a pausa apanha-me desprevenido,
E é no fumo que me encontras.
A música embala-me os pensamentos recônditos,
Este momento de solidão é meu, em tons perversos e egoístas
Com os quais ouso pavimentar os trilhos até ao meu finito.
No finito em que te contorno, atrevo-me a descrever-te por figuras de estilo,
A forma onírica de te ter, já que em suspiros e pictogramas não me contento.
Se ao de leve me preenches espaços jamais habitados, também os quadros
Com que te decoras ficam ao meu critério, pareces alheio a tudo o que me circunda.
Não são gestos fumados que te trazem até ao circunscrito círculo, pentagrama desfigurado,
Tens pavor aos números, à lógica e ao ritmo controlado dos versos
Com que arrisquei compôr-te, qual poeta em carne viva, ferida aberta picotada por agulhas,
O sangue a circundar um nome proibido.
Aguardo respostas para questões que nem ouso murmurar.
E é no fumo que me encontras.
A música embala-me os pensamentos recônditos,
Este momento de solidão é meu, em tons perversos e egoístas
Com os quais ouso pavimentar os trilhos até ao meu finito.
No finito em que te contorno, atrevo-me a descrever-te por figuras de estilo,
A forma onírica de te ter, já que em suspiros e pictogramas não me contento.
Se ao de leve me preenches espaços jamais habitados, também os quadros
Com que te decoras ficam ao meu critério, pareces alheio a tudo o que me circunda.
Não são gestos fumados que te trazem até ao circunscrito círculo, pentagrama desfigurado,
Tens pavor aos números, à lógica e ao ritmo controlado dos versos
Com que arrisquei compôr-te, qual poeta em carne viva, ferida aberta picotada por agulhas,
O sangue a circundar um nome proibido.
Aguardo respostas para questões que nem ouso murmurar.
sábado, janeiro 16, 2010
Recordo-me do dia em que a chuva não me impediu de enfrentar o desconhecido,
Senti que a hora se propagava com mais lentidão, à luz de um estado próximo do hipnótico.
Mesmo sem rede, arrisquei atravessar o arame, numa dança sem sentido,
Tal como a música que devoras e vomitas em pedaços de disco riscado.
Fazias desenhos a carvão, amnésias de outrora ali retratadas,
Ponteados a saliva e a escamas de uma pele gasta de ilusão.
O cenário hipotético elaborado apenas do outro lado do muro,
Montanhas decapitadas e um ser sem vísceras, desesperado pela luz,
Na procura angustiante do rio de sangue, a nascente do enigma,
A voz a suspirar-lhe no braço, a sombra,
A sombra,
A sombra,
A desfalecer num holograma de corpos cavernosos,
Na direcção oposta ao regurgitar da alma que o abandona.
Senti que a hora se propagava com mais lentidão, à luz de um estado próximo do hipnótico.
Mesmo sem rede, arrisquei atravessar o arame, numa dança sem sentido,
Tal como a música que devoras e vomitas em pedaços de disco riscado.
Fazias desenhos a carvão, amnésias de outrora ali retratadas,
Ponteados a saliva e a escamas de uma pele gasta de ilusão.
O cenário hipotético elaborado apenas do outro lado do muro,
Montanhas decapitadas e um ser sem vísceras, desesperado pela luz,
Na procura angustiante do rio de sangue, a nascente do enigma,
A voz a suspirar-lhe no braço, a sombra,
A sombra,
A sombra,
A desfalecer num holograma de corpos cavernosos,
Na direcção oposta ao regurgitar da alma que o abandona.
domingo, dezembro 27, 2009
Não pedi que te cruzasses comigo, que me devolvesses o sorriso ingénuo.
Não pedi que me envolvesses numa melodia sem coro, só a duas vozes.
Não pedi que me desligasses do mundo, que me centrasses em ti e no que a ti te circunda.
Não pedi que me escrevesses em abreviaturas, num diálogo monossilábico, insípido.
Não pedi que o teu gesto fosse algo intemporal, em câmara lenta.
Não te pedi um filme, um livro, um acto de contrição.
Não te pedi nada enquanto tudo o que te pedi não cabe nestas linhas desesperadas por cor.
Não te pedi um pesadelo disfarçado de sonho, em constante repetição, em cartaz de cinema.
Não te pedi o tempo, o teu tempo, o meu tempo, o tempo que de nós nada tem.
Não te pedi a metáfora. Não te pedi o o verso. Não te pedi a inspiração.
Não te pedi o retrato, o reflexo, a solidão dos abraços por dar.
Não te pedi. E julgo que não te perdi.
Espero encontrar-me, só não sei onde nem quando.
Não pedi que me envolvesses numa melodia sem coro, só a duas vozes.
Não pedi que me desligasses do mundo, que me centrasses em ti e no que a ti te circunda.
Não pedi que me escrevesses em abreviaturas, num diálogo monossilábico, insípido.
Não pedi que o teu gesto fosse algo intemporal, em câmara lenta.
Não te pedi um filme, um livro, um acto de contrição.
Não te pedi nada enquanto tudo o que te pedi não cabe nestas linhas desesperadas por cor.
Não te pedi um pesadelo disfarçado de sonho, em constante repetição, em cartaz de cinema.
Não te pedi o tempo, o teu tempo, o meu tempo, o tempo que de nós nada tem.
Não te pedi a metáfora. Não te pedi o o verso. Não te pedi a inspiração.
Não te pedi o retrato, o reflexo, a solidão dos abraços por dar.
Não te pedi. E julgo que não te perdi.
Espero encontrar-me, só não sei onde nem quando.
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