quinta-feira, janeiro 27, 2011
Não me surpreende que me fales da noite,
Nem que me tentes ensinar as constelações de cada céu.
Não me importo que reinventes a noite,
Nem que te enganes a contar os anéis de Saturno.
Não me dispenses o teu adormecer,
Nem o comprimido efervescente que se dissolve na tua pele.
Não me cruzes os braços,
Nem que o fio de arame e o corpo vertical...
Não me cubras com lâminas,
Nem com restos perfumados de línguas aveludadas.
Não me fales da noite,
Nem do tempo efervescente,
Não me fales de línguas
Ou de outros pedaços de corpo,
Não me fales de nada,
Apenas de ti.
segunda-feira, janeiro 24, 2011
Cloreto de (s)ódio
Fixo-me no reflexo. Anexo de hospital,
Perplexo sem anexo apenas um apêndice
De ligaduras estranhas, interligações de entranhas,
A garrafa de soro, a alma diluída,
O odor acre do dia, anestesia de mais um estado de ser.
Fixo-me no tecto. Branco sujo, roupagens de nojo,
Tão perto mas tão longe do ângulo recto
O grito obtuso AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH
Analgésicos de agulhas que me iludem
O ter que e não poder... a dor, a crepitação
Do corpo, morto, absorto, mole de espasmos...
Fixo-me no chão. A mão que caminha pelas nódoas
Vómitos de ânsias bolsam em segundos fractais,
Armários que ocultam cadáveres que... em câmara lenta se desfazem em sal...
Sangue arterial, pedaços de ventrículos,
Sangue venoso a alma diluída o soro em ebulição
Crepitação de roupagens de odor acre eu em ti aprisionado no armário...
Fixo-me na água. Do vazio embaciado sem voz
Sem palavras e metáforas, línguas e gargantas
Traqueostomias mal sucedidas e um jorro de nada que se liberta
Em uníssono da traqueia em fogo
Monstro que no mar de saliva se esconde e agora é soro
E alma diluída em escarros embaciados por restos de pouco ou nada e apenas quase...
Fixo-me na imperfeição. Do hoje e do que há-de vir.
O que foi é ventrículo despedaçado, é sangue venoso com falta de sal.
Perplexo sem anexo apenas um apêndice
De ligaduras estranhas, interligações de entranhas,
A garrafa de soro, a alma diluída,
O odor acre do dia, anestesia de mais um estado de ser.
Fixo-me no tecto. Branco sujo, roupagens de nojo,
Tão perto mas tão longe do ângulo recto
O grito obtuso AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH
Analgésicos de agulhas que me iludem
O ter que e não poder... a dor, a crepitação
Do corpo, morto, absorto, mole de espasmos...
Fixo-me no chão. A mão que caminha pelas nódoas
Vómitos de ânsias bolsam em segundos fractais,
Armários que ocultam cadáveres que... em câmara lenta se desfazem em sal...
Sangue arterial, pedaços de ventrículos,
Sangue venoso a alma diluída o soro em ebulição
Crepitação de roupagens de odor acre eu em ti aprisionado no armário...
Fixo-me na água. Do vazio embaciado sem voz
Sem palavras e metáforas, línguas e gargantas
Traqueostomias mal sucedidas e um jorro de nada que se liberta
Em uníssono da traqueia em fogo
Monstro que no mar de saliva se esconde e agora é soro
E alma diluída em escarros embaciados por restos de pouco ou nada e apenas quase...
Fixo-me na imperfeição. Do hoje e do que há-de vir.
O que foi é ventrículo despedaçado, é sangue venoso com falta de sal.
sábado, janeiro 22, 2011
Range os dentes como quem chama por si próprio,
Anula o espaço com o simples gesto de abraço,
Eleva as mãos e sustém as palavras antes do vómito,
Despede-te de si e só depois dos outros,
A breve inspiração começa a ferver no lobo frontal,
O fumo pelos olhos, o ritual e o toque gélido,
Ele e os seus espectros, a sua arte de mãos erguidas.
Criador de tempestades, máscara de relâmpagos,
A perfeita oração neste desfile de mortos vivos.
alma

Quero despir-me deste corpo que me aprisiona,
de tal forma colado ao espírito, sangra cada vez que exorcizo sentimentos em negação.
Fumo o último cigarro do dia, ao som de uma melodia narcótica,
cujo efeito pouco ao nada acrescenta ao momento. Fumo etéreo. Alma expurgada.
Negação em consumo lento.
Misto de inspiração e holocausto.
Cansaço mental, bocejo de tédio e medo do risco.
Não pretendia ser concreto, mas nada mais se liberta das masmorras do intelecto.
Infusão de água benta. Cânticos em enxurrada na distância de um grito em surdina.
Rendido ao solilóquio.
Fica-se a alma em levitação, em infusão, na confusão do líquido com a dissolução do sabor a monotonia. Melodia em repetição.
A preto e branco. Na revelação e na miragem.
A preto e branco. No labirinto da mente.
A preto e branco. Na leveza da reacção química.
A preto e branco. Antologia por escrever.
A preto e branco. Para que a nostalgia faça sentido.
Alma.
(photo by IRA : http://www.saturnineindetails.blogspot.com/)
O bailado dos que pouco ou nada esperam
A imensidão do traço que me contorna
Lascivo e inerte, sem consequência
Na ausência de perspectiva, de substância, de algo mais neutro que o ser-se e...
Deflagra a incerteza de devorar aquele ser
Sem saber que o tempo é cinza
E nela me fundo até aos ossos que me sutentam e...
A história repete-se em palavras inacabadas,
Em parágrafos diluídos por água turva,
Em sinais de pontuação ausentes, só o batimento cardíaco a marcar ritmo,
Inóspito como a melodia da noite que aconchega os intemporais
Vagabundos quais marionetas de cordas rasgadas,
Notas de piano em decadência e só eu e o cigarro
Que me consome no último suspiro da carne neutra em ser-se e não se ser,
Mimetismo corporal em combinações probabilísticas
O bailado dos transeuntes que apressados se atropelam.
Lamentos orvalhares, olhares desencontrados,
O crepitar do tempo em cinzas flutuantes em que me fundo,
Profundo parágrafo sem pontuação, palavras desalinhadas
E um fim em página branca, à espera que o plasma seja a pureza
Do ideal, sonho revelado através de uma qualquer peça
Em que os figurantes se dispersam, comungando da solidão da orquestra
Que cospe acordes de saliva envenenada.
http://jilltracy.bandcamp.com/track/under-the-fate-of-the-blue-moon
Lascivo e inerte, sem consequência
Na ausência de perspectiva, de substância, de algo mais neutro que o ser-se e...
Deflagra a incerteza de devorar aquele ser
Sem saber que o tempo é cinza
E nela me fundo até aos ossos que me sutentam e...
A história repete-se em palavras inacabadas,
Em parágrafos diluídos por água turva,
Em sinais de pontuação ausentes, só o batimento cardíaco a marcar ritmo,
Inóspito como a melodia da noite que aconchega os intemporais
Vagabundos quais marionetas de cordas rasgadas,
Notas de piano em decadência e só eu e o cigarro
Que me consome no último suspiro da carne neutra em ser-se e não se ser,
Mimetismo corporal em combinações probabilísticas
O bailado dos transeuntes que apressados se atropelam.
Lamentos orvalhares, olhares desencontrados,
O crepitar do tempo em cinzas flutuantes em que me fundo,
Profundo parágrafo sem pontuação, palavras desalinhadas
E um fim em página branca, à espera que o plasma seja a pureza
Do ideal, sonho revelado através de uma qualquer peça
Em que os figurantes se dispersam, comungando da solidão da orquestra
Que cospe acordes de saliva envenenada.
http://jilltracy.bandcamp.com/track/under-the-fate-of-the-blue-moon
sexta-feira, janeiro 21, 2011
segunda-feira, fevereiro 01, 2010
Como vem sendo hábito, a pausa apanha-me desprevenido,
E é no fumo que me encontras.
A música embala-me os pensamentos recônditos,
Este momento de solidão é meu, em tons perversos e egoístas
Com os quais ouso pavimentar os trilhos até ao meu finito.
No finito em que te contorno, atrevo-me a descrever-te por figuras de estilo,
A forma onírica de te ter, já que em suspiros e pictogramas não me contento.
Se ao de leve me preenches espaços jamais habitados, também os quadros
Com que te decoras ficam ao meu critério, pareces alheio a tudo o que me circunda.
Não são gestos fumados que te trazem até ao circunscrito círculo, pentagrama desfigurado,
Tens pavor aos números, à lógica e ao ritmo controlado dos versos
Com que arrisquei compôr-te, qual poeta em carne viva, ferida aberta picotada por agulhas,
O sangue a circundar um nome proibido.
Aguardo respostas para questões que nem ouso murmurar.
E é no fumo que me encontras.
A música embala-me os pensamentos recônditos,
Este momento de solidão é meu, em tons perversos e egoístas
Com os quais ouso pavimentar os trilhos até ao meu finito.
No finito em que te contorno, atrevo-me a descrever-te por figuras de estilo,
A forma onírica de te ter, já que em suspiros e pictogramas não me contento.
Se ao de leve me preenches espaços jamais habitados, também os quadros
Com que te decoras ficam ao meu critério, pareces alheio a tudo o que me circunda.
Não são gestos fumados que te trazem até ao circunscrito círculo, pentagrama desfigurado,
Tens pavor aos números, à lógica e ao ritmo controlado dos versos
Com que arrisquei compôr-te, qual poeta em carne viva, ferida aberta picotada por agulhas,
O sangue a circundar um nome proibido.
Aguardo respostas para questões que nem ouso murmurar.
sábado, janeiro 16, 2010
Recordo-me do dia em que a chuva não me impediu de enfrentar o desconhecido,
Senti que a hora se propagava com mais lentidão, à luz de um estado próximo do hipnótico.
Mesmo sem rede, arrisquei atravessar o arame, numa dança sem sentido,
Tal como a música que devoras e vomitas em pedaços de disco riscado.
Fazias desenhos a carvão, amnésias de outrora ali retratadas,
Ponteados a saliva e a escamas de uma pele gasta de ilusão.
O cenário hipotético elaborado apenas do outro lado do muro,
Montanhas decapitadas e um ser sem vísceras, desesperado pela luz,
Na procura angustiante do rio de sangue, a nascente do enigma,
A voz a suspirar-lhe no braço, a sombra,
A sombra,
A sombra,
A desfalecer num holograma de corpos cavernosos,
Na direcção oposta ao regurgitar da alma que o abandona.
Senti que a hora se propagava com mais lentidão, à luz de um estado próximo do hipnótico.
Mesmo sem rede, arrisquei atravessar o arame, numa dança sem sentido,
Tal como a música que devoras e vomitas em pedaços de disco riscado.
Fazias desenhos a carvão, amnésias de outrora ali retratadas,
Ponteados a saliva e a escamas de uma pele gasta de ilusão.
O cenário hipotético elaborado apenas do outro lado do muro,
Montanhas decapitadas e um ser sem vísceras, desesperado pela luz,
Na procura angustiante do rio de sangue, a nascente do enigma,
A voz a suspirar-lhe no braço, a sombra,
A sombra,
A sombra,
A desfalecer num holograma de corpos cavernosos,
Na direcção oposta ao regurgitar da alma que o abandona.
domingo, dezembro 27, 2009
Não pedi que te cruzasses comigo, que me devolvesses o sorriso ingénuo.
Não pedi que me envolvesses numa melodia sem coro, só a duas vozes.
Não pedi que me desligasses do mundo, que me centrasses em ti e no que a ti te circunda.
Não pedi que me escrevesses em abreviaturas, num diálogo monossilábico, insípido.
Não pedi que o teu gesto fosse algo intemporal, em câmara lenta.
Não te pedi um filme, um livro, um acto de contrição.
Não te pedi nada enquanto tudo o que te pedi não cabe nestas linhas desesperadas por cor.
Não te pedi um pesadelo disfarçado de sonho, em constante repetição, em cartaz de cinema.
Não te pedi o tempo, o teu tempo, o meu tempo, o tempo que de nós nada tem.
Não te pedi a metáfora. Não te pedi o o verso. Não te pedi a inspiração.
Não te pedi o retrato, o reflexo, a solidão dos abraços por dar.
Não te pedi. E julgo que não te perdi.
Espero encontrar-me, só não sei onde nem quando.
Não pedi que me envolvesses numa melodia sem coro, só a duas vozes.
Não pedi que me desligasses do mundo, que me centrasses em ti e no que a ti te circunda.
Não pedi que me escrevesses em abreviaturas, num diálogo monossilábico, insípido.
Não pedi que o teu gesto fosse algo intemporal, em câmara lenta.
Não te pedi um filme, um livro, um acto de contrição.
Não te pedi nada enquanto tudo o que te pedi não cabe nestas linhas desesperadas por cor.
Não te pedi um pesadelo disfarçado de sonho, em constante repetição, em cartaz de cinema.
Não te pedi o tempo, o teu tempo, o meu tempo, o tempo que de nós nada tem.
Não te pedi a metáfora. Não te pedi o o verso. Não te pedi a inspiração.
Não te pedi o retrato, o reflexo, a solidão dos abraços por dar.
Não te pedi. E julgo que não te perdi.
Espero encontrar-me, só não sei onde nem quando.
terça-feira, dezembro 22, 2009
terça-feira, dezembro 15, 2009
Sempre distorci a realidade, não por querer ou por gostar,
Mas porque é nesse jogo de sucessivas desconstruções e construções
Que me vou assimilando e me soletro em entendimento.
Nunca percebi o quadro de reflexos miméticos no espelho da alma,
Do corpo, do ser, sem o transformar numa dança esquizofrénica e caleidoscópica
De sucessivas imagens desfiguradas.
Também te descontruo, não por querer ou por gostar,
Mas para que te tornes espaço em mim... e eu em ti... nesse pronome
Que conjuga um verbo que de tão regular se torna irregularmente inconjugável.
Faz frio... aconchega-me no teu reparo pausado para que o contorne,
Na tremura do solstício.
Acomodo-me sobre mim, num gesto mimético prematuro por saber que a noite fria e escura
É o puro reflexo da criatura que se nega a fazer frente ao próprio ser
Que renasce a cada expiração carbonatada, em partículas de fumo que suspiramos.
Mas porque é nesse jogo de sucessivas desconstruções e construções
Que me vou assimilando e me soletro em entendimento.
Nunca percebi o quadro de reflexos miméticos no espelho da alma,
Do corpo, do ser, sem o transformar numa dança esquizofrénica e caleidoscópica
De sucessivas imagens desfiguradas.
Também te descontruo, não por querer ou por gostar,
Mas para que te tornes espaço em mim... e eu em ti... nesse pronome
Que conjuga um verbo que de tão regular se torna irregularmente inconjugável.
Faz frio... aconchega-me no teu reparo pausado para que o contorne,
Na tremura do solstício.
Acomodo-me sobre mim, num gesto mimético prematuro por saber que a noite fria e escura
É o puro reflexo da criatura que se nega a fazer frente ao próprio ser
Que renasce a cada expiração carbonatada, em partículas de fumo que suspiramos.
domingo, novembro 29, 2009
Chove lá fora, mas chove mais cá dentro,
Inundo-me de sentimentos, enquanto as razões se diluem...
À espera que me afogue, no próprio suspiro inconsequente
E assumo a inércia do devir e do amanhã que não me responde....
Faz frio lá fora, mas o degelo do coração não é tema de conversa,
Alterações climáticas dependentes de emoções a larga escala...
O calor artificial de um solstício de faz-de-conta,
Um gole em seco e um cigarro a queimar os lábios gretados à espera dos teus...
Faz frio cá dentro, enquanto chove lá fora,
As amarguras da solidão, corpos numa dança frenética de humilhação,
As recordações a arder, quentura artificial para que não pare de bater,
Aquele coração em arritmia, ainda humano, corpo cavernoso labirinto de escuridão.
Inundo-me de sentimentos, enquanto as razões se diluem...
À espera que me afogue, no próprio suspiro inconsequente
E assumo a inércia do devir e do amanhã que não me responde....
Faz frio lá fora, mas o degelo do coração não é tema de conversa,
Alterações climáticas dependentes de emoções a larga escala...
O calor artificial de um solstício de faz-de-conta,
Um gole em seco e um cigarro a queimar os lábios gretados à espera dos teus...
Faz frio cá dentro, enquanto chove lá fora,
As amarguras da solidão, corpos numa dança frenética de humilhação,
As recordações a arder, quentura artificial para que não pare de bater,
Aquele coração em arritmia, ainda humano, corpo cavernoso labirinto de escuridão.
segunda-feira, novembro 23, 2009
Despertas os meus instintos básicos, sequioso por te ter.
A sala de cinema deserta, sem luz, a escorrer o vazio
E dou por mim, distante do filme que passa...
É-me indiferente...
Tacteio pelo filme que insistentemente me surge em pensamento,
Aquele que escrevi guiado pela tua mão,
Em montagens desprovidas de saliva, despeço-me do tempo.
Ante a contemplação onírica cresço em desejo, por antecipação,
Num piano descompassado a gritar que o sustenham e...
Sem perder quem me guia, cedo, em falsas memórias e reconstruções pragmáticas para...
Que o tempo se despeça e me torne a amargura de mais uma gota de soro.
Corróis os meus instintos básicos, vazio por te ter.
Taquicardia sufocada por um ritmo cardíaco plagiado.
Epílogo a conta gotas... transpiro tinta vermelha... soletra-me em notas de piano.
A sala de cinema deserta, sem luz, a escorrer o vazio
E dou por mim, distante do filme que passa...
É-me indiferente...
Tacteio pelo filme que insistentemente me surge em pensamento,
Aquele que escrevi guiado pela tua mão,
Em montagens desprovidas de saliva, despeço-me do tempo.
Ante a contemplação onírica cresço em desejo, por antecipação,
Num piano descompassado a gritar que o sustenham e...
Sem perder quem me guia, cedo, em falsas memórias e reconstruções pragmáticas para...
Que o tempo se despeça e me torne a amargura de mais uma gota de soro.
Corróis os meus instintos básicos, vazio por te ter.
Taquicardia sufocada por um ritmo cardíaco plagiado.
Epílogo a conta gotas... transpiro tinta vermelha... soletra-me em notas de piano.
segunda-feira, novembro 16, 2009
Enquanto me entretenho num monólogo tempestuoso
A cinza marca um compasso estranho,
As palavras prendem-se no musgo que me cobre os olhos.
É o sentimento inócuo de quem vagueia pelo desconhecido
E se admira pela transparência da noite.
Suscita-me prazer, sem se esgotar num sopro lácteo e monótono...
Escutaste o meu adormecer?
Soubeste decifrar o código em vapor de água?
Colocas questões para as quais não há definição.
E detenho-me nesse monólogo insípido, como na primeira vez,
De bilhete na mão, na espera não sei bem de quê...
A cinza marca um compasso estranho,
As palavras prendem-se no musgo que me cobre os olhos.
É o sentimento inócuo de quem vagueia pelo desconhecido
E se admira pela transparência da noite.
Suscita-me prazer, sem se esgotar num sopro lácteo e monótono...
Escutaste o meu adormecer?
Soubeste decifrar o código em vapor de água?
Colocas questões para as quais não há definição.
E detenho-me nesse monólogo insípido, como na primeira vez,
De bilhete na mão, na espera não sei bem de quê...
sexta-feira, novembro 13, 2009
Silenciei a silaba tónica em que te exprimes.
Soube contornar aquele movimento perene que te preenche.
A frase incompleta, o verbo conjugado num tempo imperfeito
E o sujeito a esmorecer enquanto aguarda por um discurso que lhe seja indirecto.
Espantas-me assim, sussurra aquela voz que nunca se exprime,
Pedes-me um tempo falacioso, liberta-se o murmúrio que tentas suster.
Já não resistes ao susto.
De me rever num paradoxo.
Enquanto sustenho o travão, o fluxo soluça e turva-me a língua.
Soube contornar aquele movimento perene que te preenche.
A frase incompleta, o verbo conjugado num tempo imperfeito
E o sujeito a esmorecer enquanto aguarda por um discurso que lhe seja indirecto.
Espantas-me assim, sussurra aquela voz que nunca se exprime,
Pedes-me um tempo falacioso, liberta-se o murmúrio que tentas suster.
Já não resistes ao susto.
De me rever num paradoxo.
Enquanto sustenho o travão, o fluxo soluça e turva-me a língua.
quarta-feira, novembro 11, 2009
Era suposto dedicar-te a última página,
Escrever o teu nome nas entrelinhas
Como quem começa a aprender a andar.
Apenas me detive antes de o compor,
Aquele verso ácido que corroí a cada segundo de tinta pausado.
Não te inquietes por te pensar, por te decompor em sílabas,
A soletrar revejo-te, por entre espelhos de água e moléculas de reflexões.
Era suposto. Não passas de suposição. De presunção.
De movimentos pulmonares em esforço.
Mas continuo a contemplar, a centrifugação do teu corpo.
Escrever o teu nome nas entrelinhas
Como quem começa a aprender a andar.
Apenas me detive antes de o compor,
Aquele verso ácido que corroí a cada segundo de tinta pausado.
Não te inquietes por te pensar, por te decompor em sílabas,
A soletrar revejo-te, por entre espelhos de água e moléculas de reflexões.
Era suposto. Não passas de suposição. De presunção.
De movimentos pulmonares em esforço.
Mas continuo a contemplar, a centrifugação do teu corpo.
segunda-feira, novembro 09, 2009
sábado, novembro 07, 2009
terça-feira, novembro 03, 2009
Introspecção breve
Provo do chá.
E percorro-te através das linhas das mãos.
O teu toque é visceral.
E pressinto o fumo, estranho sabor a menta.
Provo do ar.
Aquele que rejeitas inspirar.
Tal e qual o toque...
A manhã embala-me a inquietação.
E engano a fome com um pedaço de sono.
É assim que me rasgo, em pedaços de papel.
É assim que me devoro, em frases desconexas.
É assim que me escrevo, em dilúvio de tinta.
É assim que me entrego, despido de emoções, na tua metamorfose.
E percorro-te através das linhas das mãos.
O teu toque é visceral.
E pressinto o fumo, estranho sabor a menta.
Provo do ar.
Aquele que rejeitas inspirar.
Tal e qual o toque...
A manhã embala-me a inquietação.
E engano a fome com um pedaço de sono.
É assim que me rasgo, em pedaços de papel.
É assim que me devoro, em frases desconexas.
É assim que me escrevo, em dilúvio de tinta.
É assim que me entrego, despido de emoções, na tua metamorfose.
segunda-feira, novembro 02, 2009
Equação do vazio
Desmontei-me. Em pedaços.
Estilhaços que não se arrumam no sótão varrido pelos ventos da angústia.
Desfiz-me. Em água tingida.
Afluentes da luz sombria do ocaso.
Porque continuo a vaguear sem cálculo, a aritmética da dor não se prevê nas minhas equações.
Perdi-me no momento em que me estilhaçaste num movimento ténue de lápis por afiar.
Os contornos não se agudizam em pontos comuns de saliva.
Despedacei-me. Em montagens de filtros distorcidos.
A imagem projectada em ecrãs de pele.
Os poros pontuam a língua que me cobre.
Os espinhos roçam a carne. Pérfida de saudosismo.
O nevoeiro no epicentro do olhar e o filme, em câmara lenta... tento alcançar-me...
Os retalhos de azedume e o equilíbrio de húmus a manter-me na marcha lenta...
Desfiz-me. Quando o que cruzaste me embateu no sopro breve da tiróide.
Sangro-me contra o espelho. Não me revejo no desenho a lápis por afiar.
Demasiado carregado para me recortar sem sair do ponteado.
Pinta-me. Às cores. As cores em que me imaginas, em que me realizas e me desfazes.
A saliva escasseia. Onde se localiza o epicentro deste tremor?
São dedos de carvão os que tocam.
Monóxido de carbono num dialecto que se metamorfoseia.
Inspiro-me. Intoxico-me sem máscara de gás no momento da própria contemplação.
A ti. A saudade.
Em mim. O covil soturno preenchido pelo vazio.
Estilhaços que não se arrumam no sótão varrido pelos ventos da angústia.
Desfiz-me. Em água tingida.
Afluentes da luz sombria do ocaso.
Porque continuo a vaguear sem cálculo, a aritmética da dor não se prevê nas minhas equações.
Perdi-me no momento em que me estilhaçaste num movimento ténue de lápis por afiar.
Os contornos não se agudizam em pontos comuns de saliva.
Despedacei-me. Em montagens de filtros distorcidos.
A imagem projectada em ecrãs de pele.
Os poros pontuam a língua que me cobre.
Os espinhos roçam a carne. Pérfida de saudosismo.
O nevoeiro no epicentro do olhar e o filme, em câmara lenta... tento alcançar-me...
Os retalhos de azedume e o equilíbrio de húmus a manter-me na marcha lenta...
Desfiz-me. Quando o que cruzaste me embateu no sopro breve da tiróide.
Sangro-me contra o espelho. Não me revejo no desenho a lápis por afiar.
Demasiado carregado para me recortar sem sair do ponteado.
Pinta-me. Às cores. As cores em que me imaginas, em que me realizas e me desfazes.
A saliva escasseia. Onde se localiza o epicentro deste tremor?
São dedos de carvão os que tocam.
Monóxido de carbono num dialecto que se metamorfoseia.
Inspiro-me. Intoxico-me sem máscara de gás no momento da própria contemplação.
A ti. A saudade.
Em mim. O covil soturno preenchido pelo vazio.
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